Você sabe quais são as novas regras para contratar um jovem aprendiz? A Lei do Jovem Aprendiz, instrumento fundamental para a inclusão de jovens no mercado de trabalho, sofreu importantes alterações que impactam tanto as empresas quanto os jovens em busca do primeiro emprego. Com o objetivo de ampliar oportunidades e garantir maior proteção aos aprendizes, as mudanças envolvem aspectos essenciais como faixa etária, duração do contrato e jornada de trabalho, além da manutenção e aprimoramento dos direitos assegurados.
Este artigo apresenta um panorama completo e atualizado da legislação, explicando detalhadamente todas as novidades e o que elas significam para empregadores, profissionais de recursos humanos, jovens aprendizes e suas famílias. Com informações embasadas em normas vigentes e orientações práticas, o texto é essencial para quem deseja compreender o funcionamento da Lei do Jovem Aprendiz, aplicar a legislação corretamente e usufruir dos benefícios previstos.
Faixa etária atualizada na lei do jovem aprendiz
Uma das principais mudanças na legislação diz respeito à faixa etária permitida para a contratação do jovem aprendiz. Tradicionalmente, a contratação era destinada a jovens entre 14 e 23 anos. A recente atualização ampliou o limite máximo para 24 anos, permitindo que um público maior possa ingressar no programa de aprendizagem.
Essa alteração responde à necessidade de inclusão de jovens que, por diversos motivos, não tiveram acesso ou continuidade ao ensino formal na idade regular, dando-lhes a chance de qualificação profissional em uma fase posterior da vida. Além disso, o aumento do limite de idade permite que os jovens tenham mais tempo para desenvolver habilidades técnicas e comportamentais essenciais para o mercado de trabalho.
Outro ponto relevante é a previsão especial para aprendizes com deficiência, que podem ser contratados sem limite máximo de idade, reforçando o compromisso com a inclusão social e a diversidade no ambiente de trabalho.
Para as empresas, essa ampliação exige uma atualização dos processos seletivos e dos programas de aprendizagem, garantindo que estejam alinhados com a nova faixa etária e que as oportunidades estejam realmente acessíveis a todos os jovens dentro desse intervalo.
Duração do contrato de aprendizagem: novos prazos e flexibilidade
A duração do contrato de aprendizagem também passou por mudanças significativas. Até então, o contrato podia durar, no máximo, 18 meses. Agora, o limite foi estendido para até 24 meses, o que proporciona maior flexibilidade e tempo para que o jovem adquira conhecimentos teóricos e práticos de forma mais completa.
Este prazo mais longo é especialmente benéfico para cursos técnicos e programas de formação profissional que demandam uma carga horária maior e um período mais extenso de aprendizado. A ampliação do contrato permite que o jovem permaneça na empresa pelo tempo necessário para consolidar suas competências.
Importante destacar que o contrato deve ser sempre formalizado por escrito, com a participação da instituição de ensino ou formação profissional responsável pelo jovem. O acompanhamento pedagógico é fundamental para garantir que o aprendiz esteja cumprindo suas obrigações escolares e profissionais.
Vale lembrar que o contrato pode ser rescindido antes do término previsto, desde que haja justa causa, como o descumprimento das obrigações assumidas pelo aprendiz ou pela empresa. Portanto, é essencial que as partes estejam cientes de suas responsabilidades para evitar conflitos e prejuízos.
As empresas devem revisar seus contratos vigentes e adequar seus programas de aprendizagem para contemplar essa nova duração, prevenindo passivos trabalhistas e otimizando o processo de formação dos jovens.
Jornada de trabalho na aprendizagem: limites e diretrizes
A jornada de trabalho do jovem aprendiz é um tema delicado, pois envolve a necessidade de conciliar o trabalho com os estudos e garantir a saúde e o desenvolvimento do jovem. Por isso, a legislação estabelece limites claros para a carga horária diária e semanal.
Com as novas regras, o limite máximo de jornada para aprendizes que ainda cursam o ensino fundamental ou médio é de 6 horas diárias. Para aqueles que já concluíram essa etapa escolar, a jornada pode ser ampliada para até 8 horas diárias, desde que haja compatibilidade com os estudos e que o jovem não sofra prejuízo em sua formação acadêmica.
Além disso, a jornada de trabalho inclui o tempo dedicado à formação teórica, seja na escola ou em cursos profissionalizantes, que é obrigatória e deve ser contabilizada como parte integrante da jornada. Essa previsão reforça a ideia de que a aprendizagem não se dá apenas no ambiente da empresa, mas também na instrução formal.
Para as empresas, o desafio está em planejar as escalas de trabalho e atividades de forma a respeitar esses limites, garantindo que os jovens possam se dedicar aos estudos e tenham tempo para descanso e lazer, essenciais para o desenvolvimento saudável.
O não cumprimento da jornada estabelecida pode resultar em multas, ações judiciais e danos à imagem da empresa, além de prejudicar o desempenho e a saúde do jovem aprendiz.
Direitos trabalhistas garantidos ao jovem aprendiz
A Lei do Jovem Aprendiz assegura uma série de direitos trabalhistas específicos que visam garantir a proteção do jovem e promover um ambiente de trabalho justo e saudável.
Entre os principais direitos estão:
- Remuneração compatível: O aprendiz deve receber salário proporcional à sua jornada, nunca inferior ao salário mínimo-hora. O valor pode ser ajustado conforme piso da categoria ou acordo coletivo.
- Férias coincidentes com o período escolar: As férias do aprendiz devem ser concedidas preferencialmente durante as férias escolares, evitando prejuízo na formação acadêmica.
- 13º salário: O aprendiz tem direito ao pagamento do décimo terceiro salário, proporcionando maior segurança financeira.
- FGTS com alíquota reduzida: A contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço é recolhida com alíquota menor (2%), incentivando a contratação.
- Vale-transporte: Garantia do deslocamento do jovem até o local de trabalho.
- Estabilidade provisória: Durante o contrato, o aprendiz não pode ser demitido sem justa causa, assegurando segurança no emprego.
- Previdência Social: O jovem aprendiz tem direito a todos os benefícios previdenciários, incluindo aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade.
- Ambiente de trabalho seguro e saudável: A empresa deve garantir condições que respeitem a integridade física e psicológica do aprendiz, observando normas de segurança e saúde no trabalho.
É essencial que tanto os empregadores quanto os jovens estejam cientes desses direitos para evitar violações e assegurar uma relação de trabalho ética e produtiva.
Obrigações das empresas na contratação de jovem aprendiz
Além de contratar jovens aprendizes, as empresas têm um conjunto de obrigações legais a cumprir, que garantem o sucesso do programa e a conformidade com a legislação.
Empresas de médio e grande porte devem observar a cota obrigatória, que varia de 5% a 15% do total de empregados, conforme o setor e porte da empresa. O não cumprimento pode acarretar multas, impedimentos em licitações públicas e prejuízos à imagem institucional.
Outras obrigações incluem:
- Oferecer treinamento adequado: A empresa deve garantir que o aprendiz participe de atividades que contribuam para seu desenvolvimento profissional, com supervisão e acompanhamento constante.
- Acompanhar o desempenho escolar: É responsabilidade da empresa, em parceria com a instituição formadora, assegurar que o jovem esteja frequentando e progredindo nos estudos.
- Manter documentação atualizada: Contratos, registros de jornada, comprovantes de pagamento e demais documentos devem estar organizados para eventuais fiscalizações.
- Garantir ambiente seguro: Cumprimento das normas de segurança e saúde no trabalho que protejam o aprendiz de riscos.
- Respeitar a jornada e condições previstas: Evitar excesso de horas de trabalho ou atividades incompatíveis com a faixa etária e formação do jovem.
Empresas que ainda não adequaram suas rotinas e políticas de aprendizagem devem iniciar, o quanto antes, o processo de adaptação, visando evitar sanções legais e promover a responsabilidade social.
Impactos das novas regras para jovens e empresas
As mudanças na Lei do Jovem Aprendiz refletem um avanço significativo na política pública de inclusão profissional, com efeitos positivos para toda a sociedade.
Para os jovens, as novidades significam:
- Mais oportunidades de ingresso no mercado de trabalho: Com a ampliação da faixa etária e maior duração do contrato, mais jovens podem participar dos programas.
- Qualificação profissional mais completa: O tempo maior de contrato favorece uma formação técnica e comportamental mais aprofundada.
- Valorização dos direitos e proteção: Assegurando condições adequadas de trabalho e estudo.
Para as empresas, os benefícios incluem:
- Formação de talentos alinhados às necessidades: O jovem aprendiz pode ser moldado para atuar conforme as demandas da empresa.
- Cumprimento da legislação e responsabilidade social: Evitando multas e fortalecendo a imagem institucional.
- Incentivos fiscais e redução de encargos: Como a alíquota reduzida do FGTS.
Contudo, as mudanças exigem maior atenção e atualização por parte dos departamentos de recursos humanos e jurídico, que precisam acompanhar as normas e adaptar os processos seletivos, contratos e escalas de trabalho.
Além disso, a gestão da jornada e a integração dos aprendizes com a equipe requerem planejamento eficiente para garantir o sucesso do programa.
Direitos da personalidade e economia própria do jovem aprendiz
É importante destacar que a legislação trabalhista contempla aspectos que vão além da mera contratação, relacionando-se diretamente com os direitos da personalidade do jovem aprendiz, conforme previsto no Código Civil de 2002 e na Constituição Federal de 1988.
Ter economia própria, por exemplo, implica receber remuneração adequada e justa, o que se traduz no direito do jovem a um salário mínimo proporcional à jornada. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece regras específicas para os menores de idade, preservando sua proteção e evitando abusos.
O artigo 439 da CLT dispõe que é lícito ao menor firmar recibo pelo pagamento do salário, mas veda que o menor de 18 anos dê quitação da rescisão contratual sem a assistência dos responsáveis legais, salvo se emancipado. A Portaria MTE/SRT nº 1, de 25 de maio de 2006, esclarece que não é necessária essa assistência no caso de emancipação comprovada.
Esses dispositivos reforçam a necessidade de respeitar a autonomia e proteção do jovem aprendiz, garantindo que sua inserção no mercado de trabalho ocorra de forma segura e responsável.
A função social do contrato de aprendizagem
Outro ponto relevante da análise jurídica da Lei do Jovem Aprendiz está ligado à função social do contrato, princípio que limita a liberdade contratual para assegurar a finalidade coletiva do contrato.
A função social do contrato implica que a relação de aprendizagem não pode ser pautada apenas nos interesses particulares da empresa ou do jovem, mas deve atender a um propósito maior de inclusão social, formação profissional e desenvolvimento humano.
Esse princípio tem eficácia interna, ou seja, entre as partes contratantes, protegendo vulneráveis e garantindo equilíbrio nas relações de trabalho. No caso do jovem aprendiz, isso significa que o contrato deve respeitar limites de jornada, condições de trabalho, segurança e direitos fundamentais.
Ademais, a função social do contrato tem eficácia externa, impactando a sociedade ao promover a redução do desemprego juvenil e a formação de mão de obra qualificada.
Assim, o contrato de aprendizagem é um instrumento jurídico que conjuga autonomia privada com responsabilidade social, refletindo os valores constitucionais e civis presentes no ordenamento jurídico brasileiro.
Como reclamar e garantir seus direitos
Apesar das garantias legais, pode ocorrer que jovens aprendizes enfrentem dificuldades no exercício de seus direitos. Nesses casos, é fundamental saber como e onde reclamar.
O primeiro passo é procurar o setor de recursos humanos da empresa para tentar solucionar o problema internamente. Caso não haja acordo, o aprendiz pode recorrer ao Ministério Público do Trabalho, à Superintendência Regional do Trabalho ou ao sindicato da categoria.
As reclamações devem ser feitas dentro dos prazos previstos na legislação trabalhista para evitar perda do direito. É recomendável guardar documentos, recibos, contratos e comprovantes que possam comprovar a relação de trabalho e eventuais irregularidades.
Além disso, existem cadastros públicos e pessoais de reclamações que ajudam a monitorar fornecedores e empresas que descumprem a legislação, contribuindo para a defesa coletiva dos direitos.
Conhecer esses mecanismos fortalece a postura do jovem aprendiz e promove a justiça social.
Dicas práticas para jovens aprendizes e empresas
Para os jovens aprendizes, algumas orientações podem contribuir para uma experiência positiva e produtiva:
- Aproveite ao máximo as oportunidades de aprendizado, tanto teóricas quanto práticas.
- Organize sua rotina para conciliar estudos, trabalho e descanso.
- Conheça seus direitos e deveres para evitar abusos.
- Busque orientação jurídica ou sindical sempre que notar irregularidades.
Para as empresas, as dicas incluem:
- Invista em programas de capacitação e acompanhamento pedagógico.
- Respeite rigorosamente a jornada e os direitos trabalhistas.
- Mantenha documentação completa e atualizada.
- Promova um ambiente saudável e inclusivo.
- Esteja atento às mudanças legislativas para garantir conformidade.
Seguindo essas recomendações, a relação de aprendizagem pode ser benéfica para ambas as partes, contribuindo para a formação de profissionais competentes e cidadãos conscientes.
Conclusão
A atualização da Lei do Jovem Aprendiz representa um marco importante na política de inclusão e qualificação profissional no Brasil. Com a ampliação da faixa etária, maior duração do contrato e definição clara da jornada, o programa se torna mais acessível, eficaz e seguro para jovens e empresas.
Para os empregadores, compreender e aplicar corretamente as novas regras é fundamental para garantir os direitos dos aprendizes, evitar riscos trabalhistas e cumprir a legislação vigente. Para os jovens, conhecer seus direitos fortalece a postura profissional e abre portas para o mercado de trabalho.
Além disso, aspectos jurídicos como a proteção dos direitos da personalidade e a função social do contrato reforçam a importância de uma aprendizagem pautada na responsabilidade e no respeito mútuo.
Não deixe de consultar um especialista em Direito Trabalhista para adequar sua empresa às novas normas e aproveitar plenamente os benefícios da aprendizagem. Acompanhe nosso blog para mais conteúdos atualizados sobre legislação trabalhista e gestão de pessoas.


